sábado, 20 de junho de 2009

Diploma: Contratação por mérito? No interior?


No último dia 17, o STF votou pela não obrigatoriedade de diploma universitário para o exercício da profissão de /cozinheiro/ jornalista. Tão sem graça quanto esta fatídica comparação do ministro Gilmar Mendes ficou a maioria dos 80 mil de jornalistas, diplomados, no Brasil. Aqueles que têm nas perguntas suas principais ferramentas de trabalho, diante da votação no Supremo de 8 contra a obrigatoriedade do diploma a 1 favorável à permanência do dito cujo, encheram suas cabeças de “Ahn?”, “Como é que é?”, “Sério?”. Clichê demais para profissionais que dedicaram anos de sua vida preparando-se para se tornarem jornalistas.

Mas trazendo à memória o sábio suíno chileno Valdívia, não adianta ficar chorando. Afinal de contas o desenrolar dos fatos tem dado sinal de que nem tudo é tão apocalíptico assim. O presidente do conselho editorial da Globo, João Roberto Marinho, publicou nota, veiculada no JN, dizendo que, apesar de achar /maravilhosa/ “bem vinda” a queda do diploma, nada vai mudar e que eles vão continuar buscando nas universidades seus profissionais do jornalismo. Alguns outros veículos também se manifestaram semelhantemente. Nada de novidade. Me parece que pouco, ou nada, vai mudar nos grandes veículos de imprensa. Vão continuar contratando por mérito e não por diploma que, realmente, nunca foi garantia de emprego pra ninguém. Afinal, eles não seriam loucos de comprometer a qualidade de suas publicações.

Essa linda idéia de que sempre os bons vão ter lugar no mercado, entretanto, é aplicável aos grandes veículos nos grandes centros. No interior (leia-se “fora do eixo Rio São Paulo”) tenho a impressão de que nem sempre é bem assim. Eu moro em Campo Grande, MS, e percebo que, por aqui, qualquer pretexto para se pagar menos é o que predomina nas contratações dos jornais locais. Tenho ouvido de colegas de todo o Brasil, por meio do orkut de fóruns online, que é assim também em suas longínquas regiões. Para estes, aprender a cozinhar pode ser uma idéia razoável para não ficar desempregado.

Bem, falo por mim que, antes do diploma, tenho uma vocação que não desaparece por causa da decisão de um louco ministro qualquer. Se quando escolhi pela universidade de jornalismo já não fosse obrigatório o diploma, eu faria o curso da mesma forma e estou certo de que muitos pensam como eu. Vamos torcer para que, diante de tudo isso, haja uma maior seriedade no ensino de jornalismo pelo país e torcer também para que não haja uma ascensão muito acentuada de “periguetes” nas redações.

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